Cheryl Strayed caminha por sua redenção em Wild

O longa biográfico Livre apresenta Reese Witherspoon como Cheryl Strayed, uma jovem de 26 anos atormentada por uma grande perda e que se entrega totalmente às drogas para esquecer os seus maiores problemas. Depois de ter seu casamento arruinado e não saber mais quem ela é, Cheryl decide caminhar pela Pacific Coast Trail – ou apenas PCT – e enfrentar as 1.100 milhas (o equivalente a mais de 1.700 quilômetros) que vão da fronteira do México ao Canadá, passando pelo lado oeste dos Estados Unidos.

Witherspoon passa ao espectador todos os fantasmas que atormentaram Cheryl durante a trilha que durou cerca de três meses, desde as dores emocionais causadas por seu passado e que vêm em forma de pesadelo enquanto ela está acampando, até a insegurança de confiar em um estranho pela necessidade de comida e abrigo. Assim, a dedicação da atriz ao papel se faz notória em cada uma das cenas e cativa o espectador para acompanhá-la durante sua longa jornada e vivenciar também seus instantes de sofrimento físico pelas longas horas de caminhada.

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Os flashes do passado de Cheryl parecem desconexos à primeira vista, mas é esta falta de sequência que os torna mais reais e próximos ao pensamento de cada um de nós. Por isso, a história da personagem é revelada aos poucos e suas maiores angústias aparecem de acordo com os lugares que ela percorre na trilha e dos viajantes que a incentivam a continuar.

Além disso, o roteiro do longa tem uma premissa feminista em toda a sua extensão e dissemina a importância da mulher ser dona de sua própria vida e pensamentos, seja nas palavras da mãe da protagonista, Bobbi (Laura Dern), ou no diálogo entre a viajante e um jornalista que questiona sua condição de andarilha – e a considera como uma mendiga. Neste ponto, a atriz encarna muito da filosofia de Cheryl da vida real e se torna uma mulher mais forte a cada novo passo.

Por fim, é inevitável dizer que o papel de Witherspoon é tão forte quanto o de Matthew McConaughey em Clube de Compras Dallas e atribuo essa característica ao primoroso Jean-Marc Vallée, diretor que conseguiu extrair de ambos os atores a vivacidade necessária para cada um dos personagens. Assim, “Livre” é um filme inspirador e revigorante em todos os aspectos, que carrega uma bonita lição de vida sobre a superação de limites e a capacidade que temos em tomar o controle de nossa própria história.

Fonte: http://alemdooscar.pop.com.br/critica-livre/

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